Opinião – Entre o slogan e a realidade: quem de fato conhece Raquel Lyra? – por Oscar Mariano

“Quem conhece Raquel, não vota nela.” Essa foi uma frase escolhida por setores da oposição para tentar desgastar Raquel Lyra é curta, sonora e típica da comunicação eleitoral: pretende transformar uma opinião política em uma espécie de verdade coletiva. Mas, em política, frases de efeito nem sempre conseguem resumir uma realidade complexa.

Existe uma diferença fundamental entre conhecer uma candidata pela narrativa construída durante uma campanha e conhecer uma governante a partir de sua atuação, de suas decisões, de suas entregas e também de seus erros.

Quando alguém diz “quem conhece não vota”, parte do pressuposto de que todos aqueles que tiveram contato com determinada administração chegaram à mesma conclusão. Esse é um recurso retórico poderoso, mas politicamente simplificador. Ele tenta retirar do eleitor aquilo que deveria ser o centro de qualquer democracia: o direito de avaliar por conta própria.

E há outro aspecto interessante. Quanto mais conhecida se torna uma governante, maior também é o escrutínio sobre suas escolhas. O exercício do governo naturalmente expõe virtudes, limitações, acertos, conflitos e resultados. É justamente a partir desse conjunto que o cidadão constrói sua avaliação e não necessariamente a partir do slogan criado por adversários.

Por isso, talvez a discussão mais relevante não seja simplesmente “quem conhece Raquel vota ou não vota nela?”. A pergunta politicamente mais madura seria: o que o eleitor passou a conhecer sobre Raquel Lyra ao longo do governo?

Conheceu suas decisões. Conheceu prioridades administrativas. Conheceu sua forma de governar. Conheceu obras, programas e políticas públicas. Conheceu também críticas, dificuldades e controvérsias. E, a partir desse conjunto de informações, cada pernambucano forma sua própria opinião. E quando de uma forma infeliz, capturaram a frase: “faz sem ela saber”, Raquel teve a coragem que a grande maioria dos políticos não tem, e pediu desculpas.

Campanhas eleitorais frequentemente tentam substituir essa análise por frases prontas. De um lado, slogans procuram criar rejeição; do outro, palavras de ordem procuram construir identificação. Mas eleição não deveria ser apenas uma disputa sobre quem consegue produzir a frase mais forte.

Existe uma diferença entre imagem política e experiência política.

A imagem pode ser moldada por propaganda, redes sociais, adversários e aliados. A experiência, porém, nasce da percepção cotidiana das pessoas sobre segurança, saúde, educação, infraestrutura, emprego, serviços públicos e qualidade de vida.

É aí que slogans são colocados à prova.

Em vez de afirmar antecipadamente qual deve ser a conclusão do eleitor, o debate democrático ganha qualidade quando apresenta fatos, resultados, números e propostas para que a sociedade faça seu próprio julgamento.

Talvez, portanto, a frase criada para diminuir Raquel Lyra revele involuntariamente uma questão muito maior: quanto mais uma governante é conhecida, mais sua trajetória deixa de pertencer à propaganda e passa a ser julgada diretamente pela população.

E esse julgamento não pertence à oposição, ao governo, aos partidos ou aos marqueteiros.

Pertence ao eleitor! E a resposta foi dada ontem…

Por Oscar Mariano


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