Uma das coisas que mais gosto quando encontro alguém que não me conhecia pessoalmente, e começo a conviver com essa pessoa que só tinha contato comigo através das redes sociais, é escutar uma frase que tem sido rotineira: Eita! Você é igualzinha ao seu Instagram!
E aqui eu não estou falando de filtros de imagem, de roupas, mas de ser humano. É tão difícil transmitir quem você é naqueles poucos segundos que mostramos nas redes sociais! É que normalmente só mostramos um pedacinho de quem nós somos, um pequeno recorte do todo. E na maioria das vezes só as partes sem dores, sem medos, sem receios e, às vezes, somente a verdade que queremos mostrar. Porém quando essa verdade consegue demonstrar a sua essência, suas crenças, seus princípios e valores, alcançamos uma doce conquista, a liberdade de ser quem somos, sem máscaras, só a pura realidade.
O mundo tem ficado cada vez mais acelerado, as tecnologias vão dominando a vida dos seres humanos e exigem cada vez mais imediatismo em responder às demandas e aos anseios das pessoas que nos acompanham, de muito perto, nessas redes. Mas e as pausas necessárias? E quando a gente não está afim? E o que eu não queremos mostrar porque é muito pessoal e exclusivo? Às vezes escolhemos manter parte da nossa vida íntima para alguns poucos, e isso frustra também as expectativas dos outros. Mas até quando vamos nos preocupar em agradar aos outros e esquecer de satisfazer o nosso desejo?
Já divagamos aqui em outro momento sobre as tentantes, e como a pressão social traz prejuízos incalculáveis a saúde física e mental dessas mulheres. Foi quando li um texto de uma mãe que já estava na terceira gestação que não chegava ao fim do 3° mês. Ela dizia que as amigas perguntavam: Porque você não espera pra contar que será mãe somente após o primeiro trimestre? Na sequência, o texto relatava que ela gostaria de compartilhar a alegria de ser mãe desde o momento que visse o resultado positivo, mesmo sem a certeza de uma gestação completa, afinal, quantas mães também perdem os bebês mesmo com a gestação chegando ao oitavo e nono mês, ou quantas mães perdem seus filhos já nascidos, prematuros, crianças, jovens ou adultos?
Nenhuma delas deixa de ser mãe! Portanto, afirmava que era mãe de 3 que hoje não estavam com ela, mas ela foi mãe desde o momento que em sua barriga se contemplou o sentimento de amor profundo e o elo invisível entre mãe e filho.
Assim, o que essa leitura me trouxe de reflexão é sobre o quanto ela estava vivenciando a experiência de compartilhar amor e a dor de forma tão simples e sincera, e como nós ainda nos preocupamos no que vamos ou não mostrar por conta dos medos e receios acerca do julgamento alheio.
Não estou aqui defendendo uma superexposição nas redes sociais, nem tampouco uma vida “low profile”, mas que cada pessoa tenha a liberdade de fazer e mostrar o que quiser, que tenha a liberdade de escolher, de viver sem exageradas amarras sociais e sem a preocupação de dar satisfação da sua vida e de sua forma de viver o tempo inteiro.
A proposta é: vamos julgar menos e viver mais, vamos apoiar mais e apontar menos! Nós mulheres já somos tão cobradas diariamente pela estrutura social e cultura imposta historicamente, que pra mudar tudo isso, a palavra RESPEITO deveria ser constante na nossa régua de viver. Seja nas redes sociais, na vida off-line e no nosso dia a dia: RESPEITO.
Por Luana Marabuco
Advogada; Pós-Graduada em Direito Público e Gestão de Pessoas; e Secretária da Mulher de Caruaru-PE.
