Você acredita no que vê, ou vê aquilo em que já acredita?

Com imensa alegria, inicio minha colaboração com o portal “Novo Contexto”, um espaço de diálogo e reflexão tão importante para nossa cidade de Caruaru. É uma honra poder compartilhar ideias e provocações sobre o fascinante universo do comportamento humano com vocês. E para começar, vamos mergulhar em um dos pilares mais poderosos da nossa mente: as nossas crenças.

A Força Invisível: Por Que Nossas Crenças Vencem a Razão?

Você já tentou convencer alguém com fatos, dados e uma lógica impecável, apenas para a pessoa se manter irredutível em sua posição? Se a sua resposta foi sim, você já testemunhou uma das regras fundamentais do comportamento humano em ação: entre a crença e a razão, a vencedora é quase sempre a crença.

Nossas crenças são as verdades que construímos sobre o mundo, sobre os outros e sobre nós mesmos. Elas formam a base do nosso mapa mental, e este mapa é muito mais poderoso do que a lógica fria. Mas por que isso acontece? A Programação Neurolinguística (PNL) nos oferece uma explicação clara através dos filtros perceptivos.

Para proteger nossas crenças mais profundas, nossa mente utiliza, de forma natural e subconsciente, três mecanismos principais: a Distorção, a Omissão e a Generalização.

Vamos usar um exemplo simples e cotidiano: a política. Imagine alguém que é um defensor apaixonado de um determinado político. Essa pessoa não apenas apoia, ela acredita nele. Agora, veja como os filtros funcionam quando essa crença é confrontada:

Distorção: Se você apresenta uma notícia negativa sobre o político de estimação dessa pessoa, ela tende a distorcer a informação. Frases como “Isso foi tirado de contexto” ou “A intenção dele era outra, estão distorcendo o que ele falou” são mecanismos de defesa para que a realidade se encaixe no modelo de pensamento já existente.

Generalização: Suponha que o político dela seja flagrado em um ato que ela mesma criticou duramente em opositores. Em vez de admitir o erro, é comum que ela generalize para proteger sua crença: “Ah, mas isso todo político faz”, ou “É assim que o jogo funciona”. A generalização dilui a responsabilidade e valida a permanência da crença original.

Omissão: A pessoa apaixonada pela ideia tende a omitir ou simplesmente ignorar os fatos que contradizem sua visão. Ela focará exclusivamente nas qualidades, nos feitos positivos (reais ou imaginados) e deixará de fora tudo aquilo que possa abalar a estrutura da sua crença.

É crucial entender que esse processo de filtragem não acontece apenas na forma como recebemos informações do mundo. Ele também molda a maneira como nos comunicamos. A pessoa seleciona as palavras, os exemplos e os argumentos que reforçam sua visão, omitindo, distorcendo ou generalizando para sempre obedecer à crença que a governa por dentro.

E o Que Fazemos Com Isso?

Ao percebermos que alguém está defendendo uma ideia com paixão, lembre-se que por trás disso há um sistema de crenças subconsciente muito forte em operação. Por isso, em uma discussão, muitas vezes não vale a pena se zangar ou se frustrar. Aquela pessoa não está, necessariamente, ignorando a razão de propósito; ela está sendo leal ao seu próprio mapa mental.

E aqui fica a reflexão mais importante: quem sabe não somos nós mesmos a desempenhar esse papel em outras áreas da vida?

Afinal, todos nós estamos sujeitos aos mesmos filtros, que foram moldados pela nossa história, nossas experiências e nossa vida. O primeiro passo para uma comunicação mais eficaz e uma mente mais aberta não é apontar o filtro do outro, mas ter a coragem de perguntar a si mesmo: “Quais são os meus?”

Por Dionesio Paulon
Escritor do livro “O Empreendedor Iniciado”,  Sócio eTrainer do CENA – Centro de Ensino de Neurolinguística Aplicado. Com mais de 10 anos de experiência como Practitioner, Master e Trainer em PNL, sua abordagem é enriquecida por uma perspectiva única: a graduação em Relações Internacionais oferece um olhar global sobre dinâmicas sociais, enquanto a pós-graduação em Educação solidifica uma metodologia de ensino eficaz e transformadora.

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