Na coluna de hoje, chamo atenção para a onda de críticas que o prefeito João Campos (PSB) vem enfrentando. Não entro no mérito se são justas ou não, mas no risco político de tentar sustentar uma liderança construída muito mais no ambiente virtual do que no território real.
Em política, pesquisa é fotografia do momento e 2025 já ficou para trás. Esse roteiro já foi visto em 2022, Marília Arraes largou como favorita e terminou derrotada na disputa pelo Governo de Pernambuco.
João tenta sair dessa maré de desgaste. A polêmica mais recente envolve o concurso de Procurador do Recife, com acusações de mudança no resultado de uma vaga destinada a PCD. Aqui, o ponto não é quem está certo ou errado, isso cabe às autoridades competentes. O que importa é o efeito político.
Quem se coloca como líder cedo demais vira alvo cedo demais. E na política, flancos abertos são convites para ataques.
Alardear vantagem em pesquisas transforma João no centro da mira. Na política digital, isso acelera o desgaste de pré-candidaturas e antecipa debates que deveriam ficar para o período eleitoral.
Foi assim em 2022. E o risco de repetir o erro está posto.
Além disso, João precisa romper a bolha do Recife. O jogo real passa também pelo interior de Pernambuco. Para isso, é preciso definir com clareza o seu time. Miguel Coelho (União Brasil), Humberto Costa (PT), Álvaro Porto (PSDB), Silvio Costa Filho (Republicanos), Marília Arraes (Solidariedade) e Wolney Queiroz (PDT) não entraram de cabeça no projeto por ausência de um desenho político. Hoje, formam um bloco de oposição à governadora, mas podem ser muito mais do que isso.
João pode ser o favorito, enquanto isso Raquel Lyra está jogando fora da bolha. E tem muita estrada pela frente.
Miguel Coelho em busca de definições
Embora muitos considerem afobação em reivindicar seu espaço no jogo político de Pernambuco, a atual fase da política de Miguel Coelho pode ser vista como busca por definições. Há uma tendência a nível nacional do União Brasil liberar suas bases estaduais para definir o projeto nacional a ser seguido. Aqui em Pernambuco, Miguel tem a pressão da federação União Progressista, liderada por Eduardo da Fonte (PP) que caminha para apoiar Raquel Lyra, obrigando Miguel a ir em busca de uma definição do grupo de João Campos. Miguel estaria disposto a apoiar a reeleição de Lula em troca de sua candidatura ao senado? Há quem diga que Lula é quem indicará as vagas do senado na chapa de João Campos.
Trunfo geopolítico de Lula
Por falar em Lula, o presidente conseguiu um trunfo geopolítico para o ano eleitoral com o acordo de Parceria entre o MERCOSUL e o bloco europeu. O acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, consolida a integração entre dois dos maiores blocos econômicos globais e reafirma o papel do Brasil na defesa do diálogo, da cooperação internacional e do fortalecimento do comércio global. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu como um “Dia histórico para o multilateralismo”.
Flávio Bolsonaro em cheque
A candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência ainda não é a “ponta virada do prego”, o histórico de corrupção, o não convencimento do seu nome junto ao “centrão” e o cansaço da polarização no país, são fatores que cercam o “01” de rejeição eleitoral. O que se compreende é que sua pré-candidatura é uma forma de apaziguar nesse momento o PL pós-prisão do seu pai, tornando o partido viável para eleger senadores e deputados.
Republicanos com objetivo definido em Pernambuco
O presidente estadual Silvio Costa Filho não esconde de ninguém, além da sua vontade de ser candidato ao Senado, o objetivo de eleger 4 federais e 3 estaduais na eleição desse ano pela chapa do Republicanos.
Palanque duplo de Anderson Luiz em Caruaru
Determinado a ser majoritário em Caruaru, Anderson Luiz (PSD), pré-candidato a deputado estadual do prefeito Rodrigo Pinheiro (PSD), adotou a estratégia de dobrar com dois candidatos a deputado federal em Caruaru. O deputado federal Fernando Monteiro (PSD) e a pré-candidata a deputada federal Rosa Amorim (PT) estão na estratégia de dobra em Caruaru. Monteiro é aliado de primeira hora, enquanto Rosa faz parte da estratégia de atrair votos de outro eleitorado.
Wolney Queiroz está dormindo no ponto
Focado no Ministério da Previdência Social, Wolney tem perdido a oportunidade de surfar na oposição que seu pai faz com diligência em Caruaru. Há quem diga que, politicamente, ele possa ser ultrapassado pelo Delegado Lessa, que faz coro à oposição de Zé Queiroz. Além de perder posição na esquerda de Caruaru com a candidatura de Rosa Amorim.
Por Hugo Sousa
Idealizador do Portal Novo Contexto, jornalista, publicitário e analista político.
Foto: Alex Silva/Estadão

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