Exposição “A Cidade que nos Vê” dá visibilidade a trabalhadores que fazem a cidade acontecer

Exposição reúne dez personagens e propõe um novo olhar sobre trabalhadores invisibilizados

Eles estão nas ruas, nas construções, nos estabelecimentos, nos deslocamentos e em tantos outros espaços que fazem parte da rotina das cidades. São pessoas que vemos todos os dias, mas que nem sempre enxergamos em sua dimensão humana. Não são invisíveis. São invisibilizadas. É a partir dessa distinção que se constrói “A Cidade que nos Vê”, exposição fotográfica idealizada e produzida por Bela Araujo, que será realizada no Museu da Fábrica de Caroá, no Espaço Cultural Tancredo Neves, no Centro de Caruaru.

A exposição reúne fotografias de dez personagens ligados a diferentes profissões e modos de vida: agricultor, compositor, pedreiro, porteiro, vendedora de café, motorista de aplicativo, manicure, costureira , trabalhador do barro e coveiro. A escolha dos personagens parte da percepção de que, na velocidade da vida urbana, muitas vezes a função se sobrepõe à pessoa. O porteiro passa a ser apenas “o porteiro”; o motorista, “o motorista”; o pedreiro, “o pedreiro”.

A abertura da mostra acontece em formato de vernissage, no dia 25 de setembro, às 20h, com apresentação artística do Maestro Mozart Vieira. A curadoria é assinada por George Pereira, enquanto Maria Flor participa como auxiliar de produção e criação.

A proposta é justamente deslocar esse olhar. “Essas pessoas não são invisíveis. Elas estão ali, todos os dias, diante de nós. O que existe é um processo de invisibilização, quando passamos a enxergar apenas a função que aquela pessoa exerce e deixamos de perceber quem ela é. O projeto nasce da vontade de tensionar esse olhar e mostrar que, por trás de cada ofício, existe uma pessoa, uma história e uma trajetória”, explica Bela Araujo, idealizadora e produtora da exposição.

As fotografias são assinadas por Breno César, em uma abordagem documental que dialoga com uma linguagem poética. As imagens valorizam a luz natural, as texturas, os gestos e as expressões dos personagens, buscando revelar suas singularidades sem reduzi-los a estereótipos. As obras serão apresentadas em formato Fine Art.

A inclusão é outro eixo da exposição. “A Cidade que nos Vê” contará com recursos de Libras e audiodescrição, ampliando as possibilidades de acesso à experiência artística para diferentes públicos. “Se a proposta é discutir quem é visto e quem é invisibilizado, a acessibilidade precisa estar dentro do projeto. Não faria sentido falar em ampliar o olhar sem também criar condições para que mais pessoas possam acessar a exposição e construir sua própria experiência diante das obras”, afirma Bela Araujo.

Além da visitação, o projeto terá uma contrapartida social voltada aos estudantes da rede pública de ensino, por meio de uma palestra educativa. A atividade busca levar para o ambiente escolar as discussões provocadas pela exposição, aproximando os estudantes da fotografia, da cultura e da reflexão sobre trabalho, reconhecimento e cidadania.

A programação inclui ainda uma Roda de Diálogo, que será realizada no domingo, 27 de setembro, às 15h, no espaço da exposição, com mediação da Mestra Elaine Rocha. O encontro propõe uma conversa sobre arte, sociedade e os diferentes modos de perceber e reconhecer as pessoas que integram o cotidiano das cidades.

Natural de Caruaru, Bela Araujo atua como produtora cultural, cenógrafa e diretora de arte e é formada em Ciências Sociais. Sua trajetória reúne trabalhos nas áreas cênica, musical e audiovisual, transitando entre produção executiva, assistência de produção, cenografia e direção de arte.

O projeto foi selecionado e realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Ministério da Cultura e do Governo Federal, em parceria com a Fundação de Cultura de Caruaru e a Prefeitura de Caruaru. A iniciativa utiliza o incentivo cultural para desenvolver uma experiência que articula fotografia, memória, trabalho, território, inclusão e reflexão sobre a maneira como determinados sujeitos são percebidos no cotidiano.

SERVIÇO

Exposição: A Cidade que nos Vê
Abertura: 25 de setembro, às 20h.
Local: Museu da Fábrica de Caroá – Espaço Cultural Tancredo Neves, Centro, Caruaru
Roda de Diálogo: domingo, 27 de setembro, às 15h, no espaço da exposição
Visitação: durante 10 dias consecutivos
Horário de visitação: 14h às 20h
04 de outubro: 10h às 14h
Visitação escolar: mediante agendamento
Entrada: gratuita

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