Poxa! se eu soubesse, como teria sido diferente. Como sofreria menos, como aproveitaria mais. Mas, não funciona assim a vida. Não vem com “manual de instrução”. E nesse lugar, você sem saber fazer leitura de ambiente adequada, se joga. Sim, você precisa buscar as realizações dos sonhos. É sobre não nos ensinarem e termos a coragem de ir.
Agradeço sempre, toda a coragem que tive de ir. Mesmo sem fazer a análise adequada, valeu. Sem fazer os planos certos. Fui buscar o que acreditava. Esse diferencial faz muita diferença. Dos que vão e dos que esperam soluções advindas do outro, por medo. E claro, os resultados são totalmente diferentes.
Credito isso ao processo de me tornar quem sou. É suficiente? Não, claro. Crescemos, evoluímos e neste amadurecimento não é mais permitido esse comportamento creditado como frágil. É esperado, por força da evolução e das coisas adquiridas que não façamos mais besteiras. O que lá atrás era besteira, hoje vejo que não mais. De fato, era o melhor caminho a ser construído na busca por nós mesmas.
E para não dizer que não falei de flores. Realço aqueles(as) que entraram em nossas vidas para estimular e nos colocar na ponta da lança. Aqueles(as) que nos disseram que precisávamos ir. Que o medo, todos temos, e este não pode nos paralisar, apenas ficar alertas. É sobre essas pessoas que cabe falar de flores. E foram diversas figuras entre mães (que na vida foram tolhidas, encontraram nas filhas a realização dos sonhos), amigas, vizinhas e tantas pessoas importantes.
Agora sim, posso me reportar aos que não nos ensinaram. Não nos ensinaram que o jogo jogado é mais importante que a prudência da observação. O posicionamento, mesmo que difícil, mesmo que contrariasse deveria ser tomado. Para que nosso posicionamento fosse visto como ideia a ser seguida. Objeto a ser conquistado. Que a emoção deveria ser contida para dar lugar a razão da escolha que traria resultado.
Que a simulação era fato e não fofoca. Que a força estava no posicionamento e não no cuidado e zelo de não machucar o outro. Que as conquistas nos levam a lugar, muitas vezes solitário. E que os nossos pares, são os que mais se incomodam com nosso crescimento, infelizmente.
Por estas reflexões, e por tantas outras, chamo atenção para o acolhimento das que não puderam ir, das que ficaram no meio do caminho e das que lutaram e ainda lutam, para se posicionar. Não apenas como gênero, mas como responsáveis pela sua vida pessoal e profissional.
Talvez o que não nos ensinaram fosse justamente o mais importante: que errar também constrói, que o medo não desaparece — ele se transforma — e que a coragem não é ausência dele, mas decisão apesar dele. Hoje, olho para trás não com arrependimento, mas com reconhecimento. Porque, no fim, foi indo — mesmo sem saber — que nos tornamos quem somos. Juntas, sempre!
Por Ivania Porto
Doutoranda em Ciências Políticas na UFP/Porto. Professora e coordenadora dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Asces-Unita. Consultora de Gestão e Estratégia

Muito boa essa reflexão. Nos faz entender que a busca humana por qualquer que seja o objetivo é individual, mas beneficia o coletivo pois abre novas fronteiras para o futuro. É um legado próprio de nossa natureza.