A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (20) que recebeu do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a licença ambiental para dar início à perfuração do primeiro poço em águas profundas na Bacia da Foz do Amazonas, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A operação marca o fim de um impasse que durou quase cinco anos entre as áreas ambiental e energética do governo federal.
Segundo a estatal, a perfuração — batizada de poço Morpho — deve começar imediatamente e terá duração de cinco meses, coincidindo com o período da COP30, a conferência do clima da ONU que será realizada em Belém, entre 10 e 21 de novembro. A Petrobras informou que o trabalho é exploratório e tem o objetivo de obter dados geológicos para avaliar o potencial de petróleo e gás na região, sem previsão de produção nesta fase.
Em nota, o Ibama destacou que a autorização foi concedida após um rigoroso processo de licenciamento ambiental, que incluiu três audiências públicas, 65 reuniões técnicas em mais de 20 municípios e a implementação de medidas adicionais de segurança, como a criação de um centro de despetrolização de fauna em Oiapoque (AP) e a mobilização de sete embarcações de resgate.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, classificou a liberação como uma “conquista da sociedade brasileira”, destacando que o processo reforça o compromisso das instituições com o desenvolvimento e o diálogo ambiental. O projeto, apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é considerado estratégico para manter o ritmo de produção nacional de petróleo diante da previsão de declínio das reservas do pré-sal na próxima década.
A perfuração na costa amazônica, no entanto, tem gerado forte resistência de organizações ambientais, que criticam a abertura de novas frentes de exploração de combustíveis fósseis na região. Para o diretor da ONG 350.org, Ilan Zugman, a decisão “é um erro histórico” e contradiz os compromissos climáticos do Brasil.
O poço Morpho representa a primeira tentativa de identificar reservas comparáveis às descobertas na Guiana, hoje uma das maiores promessas de crescimento do setor petrolífero mundial. O resultado da operação poderá definir o futuro da exploração energética na Amazônia brasileira e o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress – Fonte: com informações da Folha de São Paulo
