Sou Mulher de Arena

Como tocar em um assunto, sem que a interpretação de quem lê, seja direcionada de forma linear, sem a compreensão do todo, do contexto. Um risco, claro. Mas, acho legal abordar as arenas da vida. Elas no sentido próprio e não como único sentido.

Sou mulher de arena. Como assim? Gosto do confronto, gosto da disputa do argumento. Longe de mim, ser de briga. Não é sobre isso. Mas, sobre a capacidade argumentativa. Escrevi outro dia uma frase para depois virar texto, e foi inspiração: “nada nos aproxima mais da verdade que o confronto das ideias”. Esta frase não é minha, mas poderia sê-lo.

O poder existe em diversas formas, no meu caso, precisei do poder do conhecimento para construir minha trajetória. Conhecimento é tudo. É sobre te dar a capacidade de tirar você de um canto e colocar em outro. O conhecimento é libertador.

O poder do conhecimento leva você para o embate do dia a dia, das ideias, do posicionamento. Você passa a ser reconhecido e escutado pela capacidade cognitiva. Com o conhecimento adquirido e articulado como poder, a coisa muda de figura quando uma arena surge na sua vida. Quando na arena poderes outros surgem, bem maiores que os seus, o posicionamento é seu conhecimento, alinhado a seu propósito.

As pessoas falam e se posicionam como sabedoras de tudo. Isso não é conhecimento. Isso é informação. Edgar Morin (antropólogo, sociólogo e filósofo francês) já nos dizia que vivemos com tantas mudanças que a complexidade existente em nossa realidade nos direciona a ser mais crítico e usar esta criticidade para ampliar nosso olhar.

Voltando a arena. Não fomos criadas para o confronto. Esse comportamento alimentou muitas sociedades patriarcais. Saímos da casa dos pais para nos casarmos (aconteceu na minha geração). E, também não fomos estimuladas ao ringue, fato.

Das ideias, claro. Algumas mulheres se insurgiram. Tem uma característica bem interessante para quem gosta de discutir ideias. É a sagacidade de saber a hora do confronto. É necessário saber o momento. Porque o que estamos evidenciando é o argumento. É a construção cognitiva do pensar. É a sabedoria da escolha da linha do raciocínio. É sobre isso.

Mas, confesso que as vezes, melhor calar. Não discuto com quem sempre acha que tem razão. É tão chato. Que não vale a pena. Com quem não entende dos limites e extrapola nas atitudes e até mesmo no argumento. Imagina você está debatendo um assunto, bem definido, bem explicitado e o outro vai buscar exemplos nada a ver. Outra coisa chata.

Agora tem algumas criaturinhas que amo conversar. Algumas nem pensam na mesma linha “ideológica” por assim dizer. Mas tem uma arquitetura de pensamento linda. Tem uma fonte de argumentos extraordinários.

Alinhar o calar e o ringue, ambos com consequências distintas, é para poucos.

Por Ivania Porto
Doutoranda em Ciências Políticas na UFP/Porto. Professora e coordenadora dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Asces-Unita. Consultora de Gestão e Estratégia

1 comentário em “Sou Mulher de Arena”

  1. Gosto do confronto de ideias, é algo que já vivo cotidianamente. Todos os dias quando vou treinar musculação com meus amigos, sempre surge um tema filosófico de forma espontânea. Outro dia, estávamos discutindo, não ironicamente, sobre tendências de comportamento humano e como homens “mulherengos” tem a tendência de serem impulsivos e pouco reflexivos. Em contra partida, a tendência de pessoas muito reflexivas terem pouca atitude (em tudo). Atribuímos a causa a alguns fatores, uns defenderam o formato do crânio e outros atacaram essa teoria afirmando ser tão estúpida quanto signo.

    No fim, percebo que a minha bolha ela é tão permissiva para debater e confrontar as ideias mais profundas sobre qualquer tema, com toda a sua dignidade e seu respeito. Mas quando se trata de política, até hoje nunca vi algum debate saudável. E ainda quando vejo a ausência de agressividade, não percebo verdade nas falas das pessoas. As vezes, vejo as pessoas tão enraizadas em seus discursos políticos, mas não porque estão convictos naquilo por estudarem muito e saberem de todas as suas facetas, e sim, porque aquela ideia parece ser a certa, moralmente, a ser defendida, e ainda que não haja mais quaisquer argumentos lógicos para sustentar, a defesa por aquele lado político continua, como quem não pode deixar de torcer por um time de futebol pois torce desde a infância. Acho que as pessoas deveriam ter desapego e ter facilidade de mudar de discursos como quem troca de camisa. Afinal, se você foi contra argumentado em todos os ângulos, porque não aceitar e mudar de rota? Não deveríamos estar todos pelo mesmo objetivo? (O coletivo)

    Você está disposto a abandonar tudo o que acredita em troca da verdade?

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