Como medimos o tempo? Durante a evolução da humanidade muitas formas e instrumentos foram inseridos para solucionar e calcular a preciosidade do tempo. Para nós mulheres, parece até que ele passa num ritmo e cadência diferenciados, a sociedade nos cobra incessantemente uma colheita de sucesso, uma fórmula perfeita de como se deve ser, tanto no território profissional quanto na cobrança de um lar e uma família perfeitos.
Tem quem se torna mãe aos 18, outras aos 25, umas aos 40, há quem nem deseja ter filhos ou quem não pode tê-los. Há quem conclui a graduação no ensino superior, faz mestrado, doutorado, phd e nunca forme família. Há ainda quem seja autodidata e trabalhe numa multinacional com um salário satisfatório. Há quem não queira trabalhar, não queira formar família e sim: suas escolhas a fazem feliz.
Existe uma pressa invisível que nos rouba o sono. Um sussurro constante dizendo que a fulana já colheu, que a amiga já chegou e que nós, por algum motivo, ainda estamos com as mãos sujas de terra e as sementes ocultas sob o solo, nos preparando. Mas a vida, em sua sabedoria silenciosa, não usa relógios, não se molda a padrões, pois cada uma de nós tem a sua própria forma de medir “os tempos”.
Não há erro no tempo da natureza, cada semente tem o período certo para germinar e para florir. Há quem precise de mais sol, mais sombra, mais água ou apenas de mais tempo, basta respeitar, sem querer se encaixar num molde que não é o seu. Nenhuma colheita é maior que a outra, elas apenas ocupam caixas diferentes na alma humana.
E ainda há que se preparar para as condições extraordinárias, pois às vezes, o céu muda e a chuva que esperávamos não vem. É nesse momento que a vida nos convida à recalcular a rota, sabendo que mudar o caminho não é admitir derrota, mas aceitar o movimento do ser. Aceitar que podemos dar frutos em uma outra horta, em uma outra estação, é também um ato de fidelidade que podemos ter com quem somos hoje. Não somos estáticos, estamos em constante movimento, ou como diria o incrível Raul Seixas: “ metamorfoses ambulantes”.
Fomos forjados com a expectativa de só olhar com bons olhos o cesto cheio, mas na verdade, aprendi com um antigo mentor que devemos e podemos nos alegrar com o processo, durante a jornada divirta-se (dizia ele). E este talvez seja o segredo da felicidade, contemplar o plantio, sem de verdade saber se veremos a colheita, ou não, e tudo bem.
`Por isso, não se compare com a colheita alheia, com o verde do gramado da vizinhança, você nem sabe as pragas que o outro enfrentou, nem as secas que ele atravessou, tenha fé na sua escolha, honre o seu solo, respeite o seu tempo de dormência e celebre o seu tempo de despertar, de florir, de colher. No fim das contas, a única hora certa que importa é o presente, é o tempo de cada uma de nós.
Por Luana Marabuco
Advogada; Pós-Graduada em Direito Público e Gestão de Pessoas; e Secretária da Mulher de Caruaru-PE.
