Por muito tempo, a narrativa econômica tratou a presença feminina no mercado como uma pauta de inclusão social. Mas os dados mais recentes mostram algo mais profundo:Nós mulheres não somos apenas participantes da economia, somos uma das principais forças que impulsionam inovação, crescimento e impacto social no século XXI.
Nos últimos anos, o empreendedorismo feminino cresceu de forma consistente em todo o mundo. Em 2024,*mulheres fundaram cerca de 49% de todos os novos negócios, o maior índice dos últimos cinco anos e um crescimento de aproximadamente 69% em relação a 2019
Hoje, nós mulheres representamos cerca de 37% dos empreendedores globais e somos responsáveis por aproximadamente 31% das pequenas e médias empresas do planeta.
Mas o impacto não se resume ao volume de empresas criadas. O que diferencia o empreendedorismo feminino é o tipo de inovação que ele produz.
Estudos mostram que negócios liderados por mulheres são 63% mais propensos a atuar em áreas de impacto social, além de serem significativamente mais presentes em iniciativas ligadas à sustentabilidade, inclusão e serviços voltados à comunidade.
Em outras palavras: quando nós mulheres empreendemos, não apenas criamos empresas , nós criamos soluções para problemas reais da sociedade.
Há também um efeito econômico multiplicador. Pesquisas indicam que mulheres empreendedoras reinvestem até três vezes mais recursos em suas comunidades, gerando impactos diretos em educação, saúde e desenvolvimento local.
Essa lógica explica por que economistas e organismos internacionais tratam hoje o empreendedorismo feminino como um fator estratégico de crescimento. Estimativas apontam que a ampliação da participação feminina na economia pode aumentar o PIB global em diversos pontos percentuais, enquanto reduzir a desigualdade estrutural entre países e regiões.
E mesmo diante desse potencial, ainda existe um paradoxo.
Apesar da crescente relevância econômica, mulheres continuam enfrentando barreiras significativas no acesso a capital, redes de investimento e oportunidades de escala. Em muitos mercados, empresas fundadas por mulheres recebem uma fração do investimento disponível para startups, mesmo apresentando desempenho e retorno comparável ou superior.
Isso significa que o mundo ainda subutiliza metade do seu potencial inovador.
No entanto, a transformação já está em curso. O avanço das tecnologias digitais, o crescimento das redes de colaboração e a expansão do acesso à educação empreendedora têm democratizado o ato de empreender. Plataformas digitais, economia do conhecimento e novos modelos de trabalho tornaram o empreendedorismo mais acessível e muitas mulheres estão liderando essa nova onda.
Talvez por isso o século XXI esteja presenciando uma mudança importante: a inovação deixou de ser apenas tecnológica e passou a ser também social, relacional e sistêmica, áreas nas quais a liderança feminina tem mostrado enorme capacidade de articulação.
Celebrar o Dia Internacional da Mulher, portanto, não deveria se limitar a reconhecer conquistas individuais.
É também reconhecer que o futuro da inovação, da economia e do desenvolvimento passa inevitavelmente pela ampliação da liderança feminina nos negócios, na ciência e na gestão pública.
Não se trata apenas de equidade.
Trata-se de inteligência econômica.
Porque quando mulheres avançam, economias inteiras avançam com nós mulheres.
Por Núbia Félix
Empresária pioneira no estado de PE, como Assistente Virtual; Mentora e idealizadora da Rede Nubi, de Assistentes virtuais, com prestadoras de serviços a nível nacional e presentes também na Europa; Especialista em Gestão de Processos; Professora Universitária; Especialista em Empreendedorismo e Inovação nos negócios; Coordenadora, Docente e Supervisora de Psicanalistas em formação; Fundadora do coletivo de Fomento ao Empreendedorismo Feminino “Mulheres em Foco”; Idealizadora do PodCast “Conexões Femininas”.
Fontes: Empower | ZipDo Education | Women Entrepreneurs Statistics Statistics
