Vivemos em um tempo em que tudo precisa ser visto, compartilhado, validado. Mas, curiosamente, as dores mais profundas continuam sendo aquelas que quase ninguém vê. Tenho pensado muito sobre isso.
Sobre as dores que não aparecem no corpo, que não vêm com diagnóstico estampado, que não pedem licença, mas que, ainda assim estão ali, todos os dias, atravessando a vida de alguém. São silenciosas, discretas, muitas vezes até disfarçadas em sorrisos, produtividade ou aparente “normalidade”. Se tem algo que aprendi na minha caminhada, especialmente atuando com pessoas e famílias em contextos de vulnerabilidade e inclusão, é que todo mundo está enfrentando alguma coisa.
Tem gente lidando com ansiedade em silêncio, outros atravessando o luto, há quem esteja exausto, sobrecarregado, com medo do futuro, tentando dar conta de tudo sem desmoronar.
E a gente não vê.
Não vê porque nem sempre é dito, não vê porque, muitas vezes, a dor é invisível mesmo.
Mas, principalmente, não vê porque, na correria da vida, desaprendemos a olhar com profundidade.
Mas você se pergunta, o que isso tem a ver com inclusão? A resposta é: TUDO!
A gente costuma associar inclusão apenas a estruturas físicas, legislações ou garantias de direitos e tudo isso é, sim, essencial, mas inclusão também é sobre relações é sobre como a gente acolhe, escuta e se posiciona diante do outro.

Inclusão é criar espaços onde as pessoas possam existir sem precisar esconder suas dores para serem aceitas.
Vivemos na chamada “sociedade do cansaço”, como nos provoca o filósofo Byung-Chul Han, um tempo em que nos cobramos constantemente por desempenho, produtividade e perfeição. E, nesse processo, vamos nos esgotando, nos endurecendo, nos desconectando até de nós mesmos.
Como oferecer humanidade ao outro se estamos exaustos de nós? Como exercer empatia se não temos espaço interno para sentir?
Por isso, ser gentil consigo também é um ato de responsabilidade emocional.
É reconhecer limites, é respeitar pausas, é entender que você também está atravessando suas próprias batalhas e talvez, no fim das contas, a inclusão que tanto buscamos no mundo comece nesse movimento mais íntimo: olhar com mais cuidado, com mais presença, com mais humanidade, para o outro e para nós mesmos, não acha?
Lembre: a gente nunca sabe o tamanho da batalha que o outro está enfrentando. E, às vezes, a única coisa que alguém precisa… é não ser ferido no meio do caminho.
Por Lorena Benitez
Paraguaia, Bacharel em Direito, Pós graduada em Gestão Social: Políticas Públicas, Redes e Defesa de Direitos, pós graduanda em Diversidade e Inclusão nas Organizações, membro da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB Caruaru, Fundadora do Instituto Benitez Jones, Presidente do Rotary Club de Caruaru Sul e Coordenadora do Orgulho Down de Caruaru.
