Opinião – Quando a ideologia vale mais do que a vida de mulheres e crianças – por Oscar Mariano

A esquerda brasileira, que vive discursando sobre direitos humanos, proteção às mulheres e defesa das minorias, mais uma vez revelou sua indignação seletiva.

Ao ser questionado pelo vereador e candidato a deputado federal Eduardo Moura se defendia estupros de mulheres e crianças praticados pelo Hamas, Jones Manoel respondeu: “Toda forma de resistência é válida.” Se essa era ou não a intenção, a frase transmite uma mensagem gravíssima ao não estabelecer um limite claro diante de crimes contra civis.

Desde quando estupro virou resistência? Desde quando assassinar crianças, sequestrar famílias e espalhar o terror passou a ser tratado como algo passível de relativização? Não existe bandeira ideológica capaz de lavar o sangue de inocentes.
O mais curioso é o silêncio ensurdecedor dos movimentos feministas e de boa parte da esquerda brasileira. Onde estão os protestos? Onde estão as notas de repúdio? Será que a defesa das mulheres só vale quando o agressor pertence ao “lado errado” da disputa política?

A coerência desaparece quando a ideologia fala mais alto que a dignidade humana. Para essa esquerda, parece haver vítimas de primeira e de segunda categoria. Se o criminoso estiver alinhado à narrativa política que defendem, muitos preferem o silêncio, a relativização ou discursos genéricos.

Quem pretende ocupar um mandato parlamentar precisa ser capaz de dizer, sem hesitação, que estupro é estupro, terrorismo é terrorismo e assassinato de crianças é assassinato de crianças. Sem “mas”, sem “porém” e sem justificativas.

A sociedade brasileira merece representantes que condenem a barbárie em qualquer circunstância. Quem não consegue traçar essa linha moral presta um desserviço ao debate público e enfraquece os valores mais elementares da civilização.

Por Oscar Mariano
Analista Político

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