Um Mergulho na Ancestralidade: Meu Relato da Imersão Amazônia Viva

Entre 30 de junho e 4 de julho de 2026, vivi uma das experiências mais marcantes da minha trajetória pessoal e profissional. A imersão Amazônia Viva, ligada ao II Fórum Socioeconômico Ambiental da Economia de Comunhão (EDC), nos tirou das salas de conferência e nos levou para dentro da floresta, para a comunidade Acajatuba, no Baixo Rio Negro, e para organizações diversas de Manaus. Fomos aprender com quem vive ali: povos originários, lideranças comunitárias, empreendedores de sustentabilidade.

A Descoberta de Nós Mesmos

Passar esses dias na comunidade despertou em mim algo que eu não esperava: um senso de pertencimento ao meio natural. Escrevi nas minhas anotações, no último dia, que voltávamos carregados de descobertas sobre nós mesmos e com um propósito mais claro: nos regenerar como pessoas, como ambiente e como economia.

Navegamos pelos rios e igarapés. Caminhamos por trilhas florestais. Visitamos empreendedoras comunitárias na Amazônia. Sentamos em rodas de conversa, comemos a comida local, dançamos as danças circulares e ouvimos os sons indígenas. Cada um desses momentos foi, à sua maneira, um ato de comunhão. Aprendi ali que espiritualidade, no fundo, é conexão: com o outro, com a terra, com quem veio antes de nós.

Economia, Regeneração e Propósito

Os painéis trouxeram reflexões fortes. Débora Rocha, gestora programática da EDC, fez uma provocação que ficou na minha cabeça: precisamos de uma economia que vá além do lucro, uma economia que cuide da “casa comum” e valorize a natureza e o conhecimento das pessoas.

Ricardo Voltolini, empresário em ESG (sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, traduzindo para Ambiental, Social e Governança) trouxe referências em liderança, e anotei uma frase que quero levar comigo: “líder inspira quando conduz a si mesmo”. Empreendedorismo social de verdade passa por cuidar de si, das pessoas e ouvir com humanidade. As marcas que realmente importam são as que reconectam de dentro para fora, pela presença e pela cocriação. Para conduzir os outros, é preciso antes ter orientação, visão de longo prazo, atitude regenerativa. E a comunicação, quando é boa, sensibiliza pela empatia: constrói histórias que atraem gente que acredita nos mesmos valores.

Saberes Originários e a Universidade Indígena

Um dos momentos mais ricos foi ouvir as lideranças locais representantes de comunidades indígenas e quilombolas. Clarice, presidente da AMARN (Associação de Mulheres Indígenas do Rio Negro), mostrou que a bioeconomia que discutimos tanto nos centros urbanos já é praticada por elas há muito tempo: no cuidado de si, do outro, da Terra, sempre com um senso de coletivo. Foi nessa visita técnica que a Universidade Indígena foi oficializada, um marco que presenciamos com emoção.

Ubiraci Pataxó indígena da Bahia, estava presente e resumiu bem algo que fico pensando desde então: as pessoas costumam olhar para a Amazônia com “olhar de satélite”, vendo só a floresta de cima. Estar lá, olhando nos olhos de quem vive e cuida daquele território foi muito marcante.

O Fruto da Comunhão

O Amazônia Viva foi diferente por ter sido feito de vivências práticas com oficinas e colaborações dinâmicas, fizemos trabalho voluntário, conhecemos produções locais e projetos de proteção ambiental. O que ficou depois foi um olhar mais empático e o sentimento de responsabilidade para gerar transições a partir de nós mesmos.

Isso me deixou com perguntas que quero levar para as empresas com que trabalho: por que esse negócio existe além do lucro? Que valor tem uma liderança que cuida de verdade? Estamos tratando o cuidado com as pessoas como prática de gestão, ou só como discurso? Se você tratasse seu negócio como um ecossistema vivo, o que estaria em desequilíbrio agora?

“O Amazônia Viva nos propõe essa liberdade de pensar criativamente com o corpo, com a mente e com ações práticas pro nosso dia a dia.” Voz coletiva do Amazônia Viva Edc. Que essa experiência continue rendendo frutos, pois coerência com propósito exige o pensar maior.

Por Cátia Maciel, meu propósito é transformar realidades por meio da Educação Empresarial Responsável, sou entusiasta da vida levando as pessoas a refletirem seus valores. Administradora por formação (2006), amo acolhimento empático e seguro nas empresas e organizações. Atuante em Consultoria Estratégica (2014) para lideranças e profissionais preparados para os desafios. Professora em Pós-graduação de empreendedores conscientes (2018). Autora da minha história e do livro “Cliente! A transformação da cultura do atendimento” (2020), além de colunista e pesquisadora de mercado. Mestra em Gestão e Inovação (2022), especialista em pessoas e sustentabilidade (ESG).  Empresária na Economia de Comunhão (EDC) pela Inser Gestão (2019) e Rede C e Aliança Estratégica e negócios (2026). Seleciono gestores em expansão para melhorias nas suas atividades, por meio de princípios éticos. Acompanhe minhas realizações pelas páginas: @catiamaciel.pe e linkedin.com/in/catiamacielpe

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