Coluna Política: Lula, o eleitorado evangélico e o risco calculado da polarização

Demorei um pouco para fazer essa análise, deixei de lado o calor do momento e o efeito manada que o fato político provoca. Não estou aqui avaliando a valoração religiosa, mas os fatos políticos em ano eleitoral. Iniciado o ano pós-carnaval, vamos aos fatos!

O presidente Lula tem buscado incorporar elementos religiosos à linguagem institucional do governo.
Entre os movimentos recentes estão a valorização da cultura gospel e a proposta de tornar a música gospel patrimônio cultural brasileiro. Nos bastidores, Lula também abriu diálogo com algumas lideranças evangélicas.

Em seus discursos, o presidente tem reforçado que a maioria dos evangélicos é beneficiária de programas sociais como o Bolsa Família. A estratégia é clara: tentar desconectar a pauta econômica da pauta moral.

No entanto, o desfile da Acadêmicos de Niterói, que trouxe sátiras associadas ao conservadorismo religioso, embaralhou esse movimento de aproximação.

Eu esperei a poeira baixar e entender toda a problemática, sem paixões, afinal de contas a política não tem coração, mas o eleitor tem. Analistas classificaram o episódio como um erro político em ano eleitoral, um verdadeiro tiro no pé. O desfile reacendeu setores da direita cristã que estavam em compasso de espera.

O problema não está apenas na liberdade artística da escola. Mas na imagem de um presidente aplaudindo, de camarote, um enredo que provoca dissenso junto a um eleitorado que ele tenta reconquistar. O episódio ganhou novo fôlego quando, em viagem à Índia, Lula foi questionado sobre o tema. Esperava-se um gesto conciliador. O presidente, porém, preferiu destacar apenas a homenagem à sua mãe, Dona Lindu.

O desfile foi mais do que isso, foi um ato político. E Lula perdeu a oportunidade de sustentar o discurso de pacificação.

A leitura política que fica é a de que o governo pode apostar na polarização. Um embate entre esquerda e direita radical interessa mais do que o crescimento de pré-candidaturas de centro. O eleitorado moderado concentra os indecisos, mas o radicalismo mobiliza as bases.

Por enquanto, Lula conta com a fragmentação da direita. O risco é que ela encontre unidade.

Chaparral trabalha para ver Miguel com Raquel
As declarações do prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (União Brasil), no mesmo dia em que a governadora Raquel Lyra visitou a cidade, sinalizam que está em construção uma possível migração do pré-candidato ao Senado, Miguel Coelho, para a base da governadora Raquel Lyra (PSD). Chaparral não escondeu que trabalha para ver Miguel candidato ao senado pelo lado de Raquel.

O espólio eleitoral dos Coelho
Em jogo, não está somente uma vaga para compor o Senado, mas a acomodação de postulantes à Câmara Federal e Assembleia Legislativa que fazem parte do grupo de Miguel. Como o deputado estadual Edson Vieira, além dos irmãos de Miguel: o deputado estadual Antonio Coelho e o deputado federal Fernando Filho. Nesse pacote ainda tem o prefeito de Petrolina, Simão Durando e outros prefeitos. Se confirmada a ida de Miguel, Raquel garante um importante espólio eleitoral.

A neutralização do Carnaval do Recife
A governadora Raquel Lyra e o Governo de Pernambuco não assistiram passivamente o prefeito do Recife, João Campos, reinar isoladamente sob os holofotes da principal festividade de Pernambuco. Sem dúvida, o Festival Pernambuco Meu País no Carnaval, além do apoio à festa em diversas cidades do estado e a maratona da governadora de estar em vários lugares durante o feriadão neutralizaram a força que o Carnaval do Recife teve no ano passado, onde o “nevou’ de João Campos foi o auge político.

O casamento de João e Tabata
Sem dúvida alguma, o casamento do prefeito do Recife com uma das deputadas federais mais influentes do Brasil é um fato político. João e Tabata recepcionaram autoridades, familiares e amigos na Praia dos Carneiros. A presença do ministro do STF Alexandre de Moraes no casamento roubou a cena, dando a dimensão do enlace.

Eduardo Moura se desculpa e denuncia ameaça de morte
Após polêmicas envolvendo o vereador do Recife, Eduardo Moura (NOVO), onde foi flagrado fazendo “chifrinho” no colega vereador Chico Kiko (PSB), durante a transmissão da sessão da Câmara Municipal. Moura foi à tribuna para pedir desculpas da atitude, ao mesmo tempo, acusar Chico de ameaçá-lo de morte.

Gesto de confiança e entrosamento
O gesto do prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, em dar espaço para o presidente da Câmara Municipal, o vereador Bruno Lambreta assumir interinamente a gestão municipal, com a possibilidade de realizar entregas, simboliza confiança e entrosamento entre executivo e legislativo que há muito tempo não se via em Caruaru. Um gesto importante, pois Bruno representa o grupo político da governadora Raquel Lyra e afasta ainda mais qualquer suspeição de que o prefeito não estará no palanque de Raquel.

Por Hugo Sousa
Idealizador do Portal Novo Contexto, jornalista, publicitário e analista político.

Deixe seu comentário