Joel Pontes – 100 Anos de Pensamento Crítico: ACACCIL recebe evento que estimula a produção intelectual em Caruaru

A noite desta quarta-feira (26) ficará marcada na história da cultura caruaruense, devido à celebração do centenário de nascimento de um dos maiores intelectuais nascidos na Capital do Agreste. O evento “Joel Pontes – 100 Anos de Pensamento Crítico”, realizado na Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, integrou debate, palestra e exposição sobre a vida e a obra do homenageado. Ademais, o encontro serviu como uma provocação aos estudos e à produção de conhecimento e arte em Caruaru.

O pesquisador e escritor Dave Santos, que há mais de uma década estuda sobre o tema, abordou a dimensão da obra de Joel Pontes (1926-1977) sob três eixos: o pensador do teatro pernambucano; o aprendiz de crítica e o poeta. Em sua fala, ele salientou a proeminência do caruaruense em outros países, como Estados Unidos, Itália, França, Espanha e México, mencionando a necessidade de seu trabalho ser objeto de estudo na terra natal. “Caruaru meio que anda esquecendo escritores desta verve, que precisam ser redescobertos pelos jovens, trazendo à tona textos que não estão mortos, mas têm muito o que falar na atualidade”, pontuou, observando que Pontes possuía uma visão inovadora, prenunciando abordagens que viriam a ser amplamente discutidas em décadas posteriores.

Na sequência, a mesa de debate foi composta pelo médico cardiologista Joel Pontes Jr.; pela presidente do Instituto Histórico de Caruaru (IHC), Edivalda Miranda; pela atriz Arary Marrocos; pelo historiador Walmiré Dimeron e pelo escritor e crítico literário Eduardo Cesar Maia, também professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Ao longo do debate, a presidente do IHC analisou que Joel Pontes nasceu em um contexto histórico de grande efervescência em Caruaru, que estava despontando como cidade de grande relevância no interior do estado. Já a atriz Arary Marrocos relembrou sua vivência com Joel Pontes enquanto ator – sobretudo no espetáculo da Paixão de Cristo de Fazenda Nova, em fins dos anos 50 e início dos anos 60, no qual Pontes deu vida a personagens como o tetrarca Herodes e o apóstolo Pedro –, bem como destacou-o como um visionário das artes cênicas, que inaugurou o curso de Teatro na UFPE e inspirou a criação do Teatro Experimental de Arte (TEA). O historiador Walmiré Dimeron pontou Joel como um “homem lúcido, cônscio e, sobretudo, humano, que levou Caruaru para todos os lugares onde esteve”. Já o crítico literário Eduardo Cesar Maia localizou-o entre os grandes críticos, situando-o cronologicamente em um momento de transição. “Joel Pontes viveu em um momento híbrido – nem o jornal perdeu o status de cânon nem a universidade ainda o possuía. Joel Pontes tem ambas as coisas: o trabalho jornalístico e o acadêmico”, analisou, refletindo sobre o caráter dinâmico e eclético do autor.

Filho do homenageado, o médico Joel Pontes Jr. compartilhou suas memórias familiares. “Meu pai sempre foi um homem muito carinhoso comigo e com minha mãe”, recordou o cardiologista, que ficou órfão aos 8 anos de idade. Durante o evento, ele doou para o IHC a máquina de escrever na qual o genitor escrevera muitos de seus livros, além de um calhamaço com fotografias históricas, que ficarão à disposição dos estudiosos no IHC. “Que esse marco não seja um ponto final, mas um convite luminoso para que as novas gerações continuem sonhando, escrevendo e transformando o mundo”, declarou, emocionado, ao lado da esposa, Claudia, e dos filhos, Heloisa e Victor.

O evento contou ainda com a participação do grupo de música da Escola Municipal Joel Pontes, formado por crianças do Ensino Fundamental, sob a batuta do arte-educador Gerailton Benigno, acompanhado da professora Rosimar Martins. Também foram exibidos vídeos com depoimentos do presidente da Acaccil, Paulo Muniz, do escritor Leidson Ferraz e dos professores Fábio Andrade e Lourival Holanda, os quais ressaltaram inúmeras facetas do escritor caruaruense. Ao fim do evento, a professora e cordelista Cilene Santos entregou uma tiragem especial de um folheto de cordel de sua autoria, no qual sintetiza em versos populares a vida e o legado de Joel Pontes.

A programação contou com a organização do produtor cultural Claudio Soares e do historiador Walmiré Dimeron, com apoio e parceria da Acaccil, IHC, Instituto Professora Mariana Lima, Casa do Cordel Mestre Dila, Sebo Baú de Livros, Fundação de Cultura de Caruaru e Secretaria de Educação de Caruaru.

Estiveram presentes o fotógrafo Janduhy Bezerra; a cantora Renilda Cardoso; o poeta Manoel Vitor; a advogada Lucimary Passos; a professora Luzinete Lemos; o jornalista Assis Claudino; a escritora Rosalva Santos (presidente da UBE Caruaru); o professor Veríssimo Ferreira; o escritor Severino Melo; o cordelista Nelson Lima; o xilogravador Waldênio Silva; o professor José Urbano (Fundação de Cultura); a letróloga Linda Elisabeth (Seduc); o jornalista Warley Santos e a universitária Eduarda Martins, entre outros, formando uma plateia diversa, composta por pessoas unidas pelo carinho às artes em Caruaru.

Foto: Mylena Macêdo/Divulgação

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