A deputada Delegada Gleide Ângelo participou, nesta quinta-feira (30), da audiência pública “Feminicídio em Pernambuco: desafios, prevenção e fortalecimento das políticas de proteção às mulheres”, realizada no auditório Ênio Guerra, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A reunião foi uma iniciativa da Comissão de Segurança Pública e Defesa Social, da qual a parlamentar é vice-presidente, e contou com representantes do Governo do Estado, das Polícias Civil e Militar, do Ministério Público e da Defensoria Pública. O encontro se concentrou na discussão sobre o aumento dos casos de tentativas de feminicídio, feminicídios consumados e outras formas de violência contra as mulheres, além de destacar a urgência do envolvimento dos homens nos debates e nas ações de enfrentamento.
“A violência contra a mulher é um crime de ódio, reflexo de uma estrutura histórica de poder e dominação. O que está em jogo, muitas vezes, é a resistência em abrir mão de um poder simbólico construído sobre o controle dos corpos, das escolhas e da autonomia das mulheres. Romper com essa lógica vai muito além da punição. A Lei Maria da Penha é uma das mais completas do mundo, mas é preciso agir antes que o crime aconteça, investindo em prevenção e garantindo condições para que a mulher não dependa nem emocionalmente nem financeiramente do agressor”, afirmou a parlamentar.
A Delegada, que também é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, destacou ainda o Projeto de Lei nº 1742/2026, desenvolvido em parceria com o deputado federal Lula da Fonte (UP). A proposta estabelece a obrigatoriedade da criação, implantação e manutenção de centros de atendimento integral e multidisciplinar para mulheres e seus dependentes em situação de violência doméstica e familiar, com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública. Os centros deverão oferecer atendimento integrado nas áreas psicológica, social, jurídica e de saúde.
“O trabalho de prevenção, conscientização e reordenamento das estruturas machistas se constrói em parceria, em rede. Por isso, me articulei com Lula da Fonte nessa proposta: para que União, estados e municípios atuem de forma integrada, fortalecendo a rede de proteção e oferecendo suporte concreto para que as mulheres não permaneçam em ciclos de violência por falta de alternativas. É nossa responsabilidade e compromisso contínuo com a vida e a dignidade de todas as mulheres”, concluiu.
Imagens — Américo Santos
